Por que as doenças inflamatórias crônicas do intestino afetam a qualidade de vida mesmo em remissão?
As doenças inflamatórias crônicas do intestino, como a doença de Crohn ou a retocolite ulcerativa, afetam cada vez mais pessoas no mundo. Mesmo quando a doença parece inativa, os pacientes podem sofrer de transtornos de ansiedade, depressão e fadiga intensa. Uma pesquisa recente mostra que esses sintomas persistem na maioria dos doentes em remissão e afetam profundamente seu cotidiano.
O estudo comparou quarenta pacientes em fase de remissão com um grupo de pessoas saudáveis. Os resultados revelam que mais de oito em cada dez pacientes apresentavam um episódio depressivo maior, e sete em cada dez sofriam de transtornos de ansiedade generalizada. Seu nível de fadiga, ansiedade e depressão era muito mais elevado do que nas pessoas sem doença intestinal. Paralelamente, sua vida sexual era frequentemente perturbada, com índices de satisfação bem inferiores aos do grupo controle.
A fadiga, em particular, revelou-se como o fator mais ligado à deterioração da qualidade de vida. Ela influencia negativamente os aspectos emocionais, sociais e profissionais, muito mais do que os distúrbios sexuais. Os pesquisadores destacam que essa fadiga não é apenas física, mas também mental, e está estreitamente ligada ao estado psicológico. Os pacientes em remissão sentem um cansaço persistente, mesmo na ausência de sintomas digestivos, o que sugere uma ligação complexa entre o cérebro e o intestino.
Os mecanismos que explicam essa situação são múltiplos. O estresse, o isolamento ou a falta de autoconfiança, frequentes nesses pacientes, agravam seu estado mental. Além disso, a inflamação crônica, mesmo discreta, poderia perturbar as trocas entre o sistema digestivo e o cérebro, mantendo assim um círculo vicioso entre mal-estar psicológico e sintomas físicos.
Os distúrbios sexuais, mais marcados nas mulheres do que nos homens, também são um peso adicional. Eles se explicam, em parte, pelas consequências psicológicas da doença, como a vergonha ou o medo de não corresponder às expectativas. No entanto, ao contrário do que se poderia pensar, a atividade da doença não tem impacto direto sobre a sexualidade. São principalmente os transtornos ansiosos e depressivos que são responsáveis por isso.
Essas observações destacam a importância de um acompanhamento global dos pacientes, mesmo quando sua doença parece estar sob controle. Uma avaliação regular de seu estado mental e de seu nível de fadiga deveria fazer parte integrante do acompanhamento médico. Soluções como terapia, programas de atividade física adaptada ou apoio psicológico poderiam melhorar significativamente seu bem-estar.
Os pesquisadores insistem na necessidade de não negligenciar esses aspectos invisíveis da doença. Uma melhor compreensão dessas ligações entre corpo e mente permitiria oferecer cuidados mais completos e ajudar os pacientes a recuperarem uma vida mais plena, mesmo em períodos de remissão.
Bibliographie
Source de l’étude
DOI : https://doi.org/10.1186/s41983-026-01121-4
Titre : Burden of depression, anxiety, sexual impairment, and fatigue in patients with inflammatory bowel disease in the remission phase and their impact on quality of life
Revue : The Egyptian Journal of Neurology, Psychiatry and Neurosurgery
Éditeur : Springer Science and Business Media LLC
Auteurs : Bahaa Osman Taha; Ahmed Abdelfadeel Maghraby; Ahmed Mahmoud ElShibany; Ahmed Safwat Abdel Hameed; Mustafa M. Hashem